Com os braços estendidos ao longo do corpo, Frida imagina como seria estar do outro lado. De pé, olhos fixos no horizonte, alheia a todos os que correm em direção ao cais, mira o barco se aproximando. Um esgar sobre os lábios deixa entrever o que poderia muito bem ser um sorriso, como se presenciasse uma alegria. Frida, com algum esforço, molda uma imagem após outra. Imagina-se não mais com os pés na areia, não mais as pálpebras se abrindo e se fechando, apertando-se contra a luminosidade excessiva que aquela imensidão de água traz até sua retina todos os dias, a todo o momento. Pensa em si partindo da ilha. Uma lembrança de algo que não viveu. Uma lembrança de algo que não viveria. Sair da ilha é coisa de loucos! – lembrava seu pai dizer. A ilha se distanciando. Seu corpo acompanhando o movimento do barco, subindo e descendo, subindo e descendo, as ondas. O vento ensurdecendo sua alma. Envolta em uma luz de pessoa desamparada, esforça-se para reter as imagens, aquele pedaço de terra diminuindo e sumindo, sem poder jamais desaparecer por completo. Sua vida desde sempre. Sua imaginação não dera mais uma vez o passo seguinte. O sentimento de começo e fim, a mistura de emoção e expectativa à certeza de que depois daquilo nada mais haveria para ela!....
Nobru Lagrutta