Com os braços estendidos ao longo do corpo, Frida imagina como seria estar do outro lado. De pé, olhos fixos no horizonte, alheia a todos os que correm em direção ao cais, mira o barco se aproximando. Um esgar sobre os lábios deixa entrever o que poderia muito bem ser um sorriso, como se presenciasse uma alegria. Frida, com algum esforço, molda uma imagem após outra. Imagina-se não mais com os pés na areia, não mais as pálpebras se abrindo e se fechando, apertando-se contra a luminosidade excessiva que aquela imensidão de água traz até sua retina todos os dias, a todo o momento. Pensa em si partindo da ilha. Uma lembrança de algo que não viveu. Uma lembrança de algo que não viveria. Sair da ilha é coisa de loucos! – lembrava seu pai dizer. A ilha se distanciando. Seu corpo acompanhando o movimento do barco, subindo e descendo, subindo e descendo, as ondas. O vento ensurdecendo sua alma. Envolta em uma luz de pessoa desamparada, esforça-se para reter as imagens, aquele pedaço de terra diminuindo e sumindo, sem poder jamais desaparecer por completo. Sua vida desde sempre. Sua imaginação não dera mais uma vez o passo seguinte. O sentimento de começo e fim, a mistura de emoção e expectativa à certeza de que depois daquilo nada mais haveria para ela!....
Nobru Lagrutta
quarta-feira, 4 de junho de 2008
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2 comentários:
gostei do texto...faz uma continuação....seria bacana..abraços
Muito bonito.. Uma "trilogia" familiar com algum autor que eu ja tenha lido.. uma linha que segues?
algum instrutor famoso..?!
Adorei teu texto muito bom mesmo..
parabéns!^^
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